Aberração cromática na iluminação cênica

Ser iluminado e criador na iluminação cênica, blz? 

 

No post anterior comentei sobre alguns fenômenos óticos que a física traz à nossa profissão na iluminação cênica, o que torna imprescindível conhecermos para que possamos ter argumentação técnica e também saibamos lidar com algumas situações quando aparecerem.

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Hoje comento sobre um fenômeno muito comum de encontrar em aparelhos que utilizam 2 ou mais lentes, muitas vezes vemos e não tem muito o que fazer a não ser aceitá-lo e controlá-lo através das lentes.

Comento sobre a “aberração cromática” e sua influência na iluminação cênica.

 

Mas o que é essa tal de “aberração cromática”?

“Essa tal” na verdade seria “esse tal”, pois trata-se de um fenômeno físico em que diferentes comprimentos de onda originam em diferentes pontos focais, ou seja, é a luz que sofre a refração e esta depende exclusivamente dos vários comprimentos de onda da luz que “não se alinham”.

 

Perceba na foto acima que a lente não consegue unir os diversos comprimentos de onda num único ponto focal, isso pode ocorrer em diversos equipamentos que utilizamos na iluminação de entretenimento, podendo também ser encontrado em aparelhos usados para iluminação na arquitetura e utilizam lentes.

Este fenômeno é muito comum em aparelhos que precisam do uso da ótica cabendo ao técnico manipular de forma a diminuir o “arco íris” que se forma nas bordas, como o que veremos a seguir:

espectro-luz-lente

Acima vê-se uma aberração cromática “bem formada”, perceba que a é praticamente a refração dos comprimentos de onda, de um lado os comprimentos vermelhos, passando pelo branco (que na física é a soma de todas as cores) e chegando ao azul e violeta.

Considere essa outra informação sobre aberração cromática na iluminação cênica:

 

Distorção que ocorre em lentes que não conseguem fazer com que todos os pontos de luz fixem num mesmo local (ponto fixo), ocorrendo um anel cromático nas bordas do foco indesejáveis; também pode-se dizer que ocorre a dispersão dos indíces de refração nos comprimentos de onda da luz que não são exatos num único ponto.

fonte do e-Book “Glossário para Iluminação Cênica” de Alessandro Azuos

 

 

Na iluminação cênica é normal acontecer isso em aparelhos como Elipsoidais, Canhões Seguidores e Moving Lights, estes aparelhos requerem o uso de diversas lentes para que possam executar suas funções, mas não estranhe se isso ocorrer, é porque a lentes que você utiliza são de qualidade.

Caso você seja curioso, verá esse assunto muito difundido entre os fotógrafos devido as lentes  de trabalho, existe um estudo muito grande nesta área para que possam compreender melhor esse efeito e como contralá-lo da melhor maneira possível.

 

 

Outras considerações importantes equivalem a entender a refração dos comprimentos de onda, nos aparelhos de teatro é interessante observar que, citando como exemplo o elispoidal:

 

Ao afinarmos esse aparelho, percebemos que existe uma espécie de “aura” mais azulada, isso ocorre devido ao tamanho da onda, os comprimentos de onda mais avermelhados são mais altos e mais rápidos fazendo com que se dispersem com mais facilidade, já o seu oposto, os cumprimentos azulados tem uma onda menor, sendo mais lentos em sua propagação, por isso as vezes são “difíceis de ajustar mesmo com aparelhos contendo lentes fabricadas com excelentes materiais”.

 

Um curiosidade sobre o refletor “Elipsoidal”:

“o nome desse projetor deriva da palavra grega elleipein, traduzido seria “falta, defeito” do verbo elleipein, significa “não alcançar, deixar de fora”; acredita-se ter o sentido de “parecer um círculo mas não consegue alcançar tal formato”.

fonte do e-Book “Glossário para Iluminação cênica” de Alessandro Azuos

 

Falando um pouco mais sobre as lentes e materiais:

A lente é como um material cristalizado que através de suas propriedades físicas refrata a luz. 

Podemos encontrar cristais na natureza como as diversas pedras preciosas ou não, no qual também incluo o gelo também é uma forma de “água cristalizada”, em cavernas as estalactites que são formadas através dos longos anos, o âmbar formado através de resinas das árvores por diversos séculos é outro exemplo natural.

É possível também produzir cristais em laboratórios, ou melhor dizendo, criar o efeito que ele produz em outros materiais que possam imitá-los, chegando bem próximo da refração como é caso de espelhos e vidros.

As lentes para nossos refletores são produzidas com a mistura (aqui falando grossamente da composição) de areia + chumbo (auxilia na refração) + bromo (tolerância ao calor), que passadas por um processo químico resultam nos vidros e cristais; é um processo maravilhoso e a qualidade desse material é percebida pelo brilho que a lente produz.

Nos refletores para teatro o Bromo tem a função de suportar o calor, criando uma lente que, se cuidado, poderá durar décadas; isso é válido também para as lâmpadas de vapores metálicos (HMI, HQI, MSR, Fluorescentes, Mistas, Xenon, etc) e de filamentos (Halógenas e as antigas incandescentes), que neste caso são formadas por uma mistura de quartzo junto a outros materiais que conferem a qualidade do material e suporte o calor e reações de pressões químicas dentro do bulbo.

 

Cuidados para aquisição com os materiais e lentes

Quando você adquiri um material cujo a lente é de baixa qualidade, perceberá que a lente trinca com facilidade, podendo ocasionar acidentes caso não haja grade de segurança dentro do refletor.

O mesmo ocorre para lâmpadas que podem explodir por não suportarem o calor e a pressão que ocorre no interior do bulbo 

 

O estudo da iluminação cênica vai além de simplesmente escolher aparelhos e cores para seu espetáculo, profissionais que realmente querem conhecer, buscam informações importantes para compreenderem melhor sobre todas as suas “ferramentas de trabalho”, por isso o blog e canal “Cartilha de iluminação cênica” surgiu e desde 2009 vem acrescentando informações importantes para a carreira do iluminador no Brasil e tornando-se referência nacional nesses assuntos e sistema EAD de aprendizagem e ensino.

Alessandro Azuos

 

Por isso o iluminador Alessandro Azuos organizou o primeiro e-Book “Glossário para Iluminação Cênica”, para preencher parte dessa lacuna de estudos em que aborda mais de 550 palavras e termos técnicos que os profissionais em iluminação utilizam diariamente em seus projetos.

Para conhecer mais e ter detalhes sobre o “Glossário para Iluminação Cênica” acesse aqui e será redirecionado à página para entender melhor, e caso queira, poderá adquirí-lo e ter a iluminação cênica em suas mãos e outros bônus exclusivos para que fizer esse investimento para sua carreira.

 

Gosto muito de estudar a fundo o universo da Iluminação Cênica, por isso é importante conhecer a luz desde a produção de seu átomo até seu objetivo que é algo iluminado, por isso faço questão de escrever artigos bem técnicos, como falta informação em português, os cursos não são pensados em comentar esses assuntos, faço questão de colocar em meu blog e canal.

Alessandro Azuos

 

Lembro que meu blog é um dos projetos online sobre iluminação cênica mais antigos do país, desde 2009 escrevo sobre o universo lumínico, abordando assuntos que são de muita importância e muitas vezes não são comentados nos cursos ou mesmo em discussões sobre essa temática.

 

Você sabe onde surgiu a palavra “LENTE”?

Abaixo, trecho do e-Book “Glossário para Iluminação Cênica”, de Alessandro Azuos:

 

 Vidro ótico com um ou ambos os lados curvos, que tem como finalidade direcionar a luz, concentrando ou dispersando, aumentando ou diminuindo seus raios; veja mais a frente a explicação da origem desse nome.
As lentes que mais trabalhamos na iluminação cênica são:
Lente Plano Convexa: um dos lados é plano e o outro convexo, quando contida somente uma unidade, podemos controlar a abertura de foco; já os refletores que possuem duas lentes ou mais, podemos ajustar o foco e fazer uso de gobos.
 Lente Condensadoras: tem seu uso em variados tipos de refletores, condensam os raios para que haja uma concentração de luz mais forte.
 Lente Fresnel: leva o nome devido ao seu inventor Augustin Fresnel, essa lente possui em sua superfície vários anéis que auxiliam numa luz mais difusa, sem focagem.
Curioso que essa palavra vem do latim LENS: era o nome dado a “lentilha” devido a sua forma biconvexa – o nome no diminutivo “LENTICULA” acabou sendo nomeado para a leguminosa.

para conhecer o e-Book “Glossário para Iluminação cênica”, de Alessandro Azuos, clique aqui

 

O projeto “Cartilha de Iluminação cênica é feito para você, profissional e estudante em iluminação, seja para a área artística ou para uma área mais funcional, esse projeto foi criado para interagirmos no universo online, então o convido a conhecer o canal também, no youtube:

 

cartilha de iluminação cênica

 

LUZ SEMPRE!!! 

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