Invista num profissional em iluminação cênica

Ser iluminado, um post especial voltado a você que é o profissional iluminação cênica, ou se você preferir, sobre a profissão de Iluminador, ou Lighting Designer.

Veja aqui uma vídeo-aula que explico de onde surgiu o termo “designer”, clique aqui para assistir.

Sempre falo de ambos os termos, sei ainda que há uma divisão e parte aceita Iluminador, enquanto que uma parte adota Lighting Designer, o que para mim não importa tanto, já que vivemos numa americanização de termos em nosso ramo, e por não possuirmos uma nomenclatura correta em nosso ramo de trabalho, criam e adotam-se termos vindos “dos gringos”, mas não é isso que falarei hoje, comentarei o uso da iluminação cênica tanto para a arquitetura quanto para o entretenimento.

 

Iluminação cênica: na arquitetura

Mas vamos tocar num ponto que já me perguntaram muito sobre este tema, então decidi criar um post muito especial e descrevo uma análise sobre nossa área e gostaria que você pensasse comigo, aliás, deixarei dicas de argumentação quando te perguntarem o por quê de contratar você, profissional em iluminação cênica, e não o sobrinho, tio, avô para fazer a iluminação.

Nos últimos anos temos acompanhado um crescente interesse por ambientes mais confortáveis, tanto em casa como no trabalho; a busca por serviços específicos permitiu a terceirização e a especialização das áreas que estão diretamente ligadas às exigências do cliente.

Nesse cenário surge a maior dificuldade de entender a inter-relação de todos estes serviços, pois muitas vezes o contratante e o responsável do projeto podem não ter consciência das vantagens que acarretam servir-se de uma consultoria luminotécnica externa considerada as modernas modalidades de projetação e construção.

Esse é o caso do Iluminador, ou Lighting Designer, uma profissão que há pouco tempo era desconhecida, e que vem ganhando muito espaço e curiosidade graças aos avanços tecnológicos nos materiais empregados e nas questões de sustentabilidade e economia.

Temos duas obras que podemos considerar como pioneiras em informações sobre técnicas da iluminação, o primeiro para iluminação mais artística, ou iluminação cênica, e o segundo voltado a luminotécnica:

Stanley MacCandless (1897-1967), autor dos livros “A syllabus of Stage Lighting (1927)” e “A Method of Lighting the Stage (1932)”, ambos argumentam sobre uma metodologia e processo da criação da iluminação, no qual adotamos algumas funções como a seleção do que queremos ver na cena, criações de atmosferas para composição visual da ação cênica, que são funções que podem ser utilizadas na arqutietura. Algo muito interessante em livro “Syllabus…” diz que:

“O design e o controle da luz podem lidar com a iluminação natural, geralmente, a iluminação envolve a criação e o alinhamento dos aspectos visuais produzidos por fontes artificiais.
Desde a invenção da lâmpada elétrica, a conquista, sobre a escuridão, se estendeu e um novo meio de expressão está disponível. Um grande prazer do homem, a beleza é devido ao senso de visão através da luz.
É mais antigo do que o homem, mas é difícil depois de tantos séculos de métodos primitivos de prolongar as horas de agitação quando a escuridão cai, estar plenamente consciente das possibilidades que estão agora em mãos.”

 

Parry Moon (1898-1988) é o autor do livro “The Scientific Basis of Illuminating Engineering (1936)“, quando a profissão ainda era chamada de Engenheiro de Iluminação. Uma de suas frases, ainda muito original nos dias de hoje diz:

“O lighting designer deve não só interessar-se nas ciências exatas e na economia de energia, mas também estar completamente familiarizado com a fisiologia do olho, as peculiaridades do nosso processo de ver, e seus efeitos psicológicos. Na maioria dos casos, ele também deve compreender também da arte e da arquitetura a fim de produzir resultados agradáveis.” 

 

Podemos considerar os 2 autores como pioneiros sobre o pensar tecnicamente quanto ao uso profissional da iluminação, seja ela artística ou funcional, perceba que falam do uso da luz que poeticamente digo que é a “matéria prima do profissional em iluminação”.

Antes deles Adolphe Appia deixou diversos materiais sobre iluminação, mas houve somente estudos e uma enorme pesquisa sobre a forma de uma iluminação tridimensional na cena, vindo a criar uma ruptura do que existia na época, ele deve ser lembrado sim, mas foi com MacCandless e Parry que a iluminação tornou-se técnica e envolvida no estudo que podemos chamar de mais acadêmico, começando a ganhar notoriedade e espaço nas universidades.

 

Iluminação para: teatro, dança, show, musical, museu, desfile, etc…

Eu me expresso a essas áreas mais artísticas com o termo “iluminação de entretenimento”, que tem como foco principal causar sensações variáveis através da obra em que se ilumina.

Essa área é a que mais atuo há 17 anos, área que espantosamente cresceu sem barreiras nestes últimos 8 anos, não sei explicar ao certo o que foi, ou pode se é pela tecnologia robótica e linguagem digital que chama mais a atenção, ou por despertar um ramo artístico que muitos se aventuram pelo instinto visual e depois se apaixonam e vão estudar de verdade.

Acredito que a entrada com a franquia dos musicais em nosso país também ajudou a aumentar essa demanda, o encanto ao apelo visual desses espetáculos são extremamente fortes. nesse nicho especificamente falando.

Contando ainda sobre os shows com alta tecnologia, que na maioria dos casos trazem os mais jovens enaltecidos pelos recursos mecatrônicos, auxiliados pelo impulso empírico do fazer rápido e dominar a tecnologia, são fatos que estão presentes neste nicho do mercado para profissionais.

Já o teatro e a dança permanecem humildes na tecnologia, porém ricos na sua expressividade artística em primeiro plano, mas igualitários visualmente, e com um problema, que considero um erro e falta de administração, já que as produções não contratam profissionais com tempo hábil para ensaios, cabendo utilizar recursos que já deram certos em suas criações, ou mesmo aprendeu com seus amigos, e que causa a impressão de ser tudo igual, momento em que os que são mais “antenados” criam algo a mais e acabam destacando-se da maioria que prefere permanecer na zona de conforto e não correr atrás de informações e ferramentas técnicas, utilizado-as a seu favor em seus projetos para a iluminação de entretenimento.

Pior que a falta de tempo para criar na iluminação para entretenimento é não ter espaço e materiais suficientes, cabendo em grande parte das situações, montar correndo para a estreia e ensaiar “acender uma vela e rezar para que o visual fique sem ter muitos problemas”.

Nessa área do entretenimento tem-se uma grande vantagem em relação a projetos na arquitetura, é que podemos ir experimentando à medida que espetáculo caminha, já num projeto estrutural, na arquitetura de um imóvel por exemplo, não se pode errar, possui essa complexidade que os softwares auxiliam em muito a minimizar os erros que poderão ocorrer, antes mesmo de iniciar compras dos materiais.

 

 

Aproveito e o convido a conhecer meu e-book “Glossário para Iluminação Cênica”, nele comento em torno de 600 palavras que usamos diariamente em nossa profissão e que te ajudará a entender melhor sobre o universo lumínico de nossa profissão, que para todos nós é a mesma ARTE DE ILUMINAR.

Acesse aqui para conhecê-lo mais.

 

 

Carreira: como atua o profissional em iluminação?

Ao iniciar um projeto, seja no entretenimento, na área arquitetônica (inclua-se também no design de interiores), uma das perguntas fundamentais do programa de necessidades é: qual será sua real participação na iluminação deste projeto?

Um profissional em iluminação cênica, iluminador ou lighting designer, entende que não só de lux, watts e grau Kelvin se executa um bom projeto, ou seja, pensar em iluminar um espaço comporta muitas condicionantes variáveis e o conhecimento de assuntos como a física, a ótica, a eletricidade, a ergonomia, as normas e recomendações, os problemas ambientais, a edificação, a visão e a arte da projetação são essenciais para idealizar soluções de iluminação adequadas.

O Iluminador/Lightning Designer trabalha em conjunto com artistas, produtores, cenógrafos, arquitetos e engenheiros elétricos, agregando valor ao seu projeto final e desenvolvendo um projeto de iluminação mais eficiente através das técnicas necessárias nos cálculos de carga.

Deverá participar em todas as fases, poderão ser analisadas as possibilidades de iluminação e chegar a um melhor rendimento custo x benefício x resultado, elaborando seu projeto com conhecimentos técnicos e artísticos.

É necessário esclarecer que o profissional em iluminação deverá conhecer e dominar ferramentas em CAD (diversos softwares) para implantação visual de seus projetos, compreender teorias da psicologia comportamental, cálculos da física da geometria ótica, eletricidade básica, conhecer culturalmente sobre o que pretende iluminar, conhecer os diversos produtos e dispositivos eletrônicos que farão parte de sua rotina, atualizar-se sempre.

Vale destacar também que o profissional que deverá ter habilidades de comunicação para trabalhos em equipes e estabelecer contatos nas mais diversas hierarquias do projeto, pois, será um profissional “coringa”, que estará presente em todas as fases e escalas do projeto até sua entrega por completo.

 

Projeto de iluminação cênica: luz como questão principal

Um projeto de iluminação cênica além da base teórica – programa de necessidades, adaptação das exigências arquitetônicas, consideração das atividades exercidas e materiais para fins de cálculos luminotécnicos, decisão da tecnologia e tipologia de sistema elétrico, luminárias, lâmpadas e acessórios – deve considerar o fator humano e ambiental, assim como um projeto arquitetônico.

Assim como a ergonomia dos móveis depende da condição física do usuário – estatura, limitações, etc – para a iluminação a variação também é grande. Existem parâmetros que garantem a ergonomia da luz, o conforto e quantidades recomendadas. 

Os produtos da área de iluminação sofrem constantes aprimoramentos: luminárias, lâmpadas e acessórios evoluem rapidamente, cabe ao profissional oferecer as soluções projetuais mais apropriadas.

Além do fator “físico” do usuário, a iluminação também deve ter em conta os fatores psicológico e fisiológico do cliente. Distúrbios de sono, hiperatividade, concentração e fotossensibilidade são alguns elementos a serem considerados em um projeto de iluminação cênica e o profissional poderá aconselhar os melhores efeitos para o conforto e a obtenção de uma maior qualidade de vida.

 

Conheça o canal “Cartilha de Iluminação Cênica”.

iluminação cênica Alessandro Azuos

 

LUZ SEMPRE!!

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